Gripen F, Saab e Embraer: por que São José dos Campos segue como protagonista da engenharia aeroespacial no Brasil

Aeronave moderna em pista ao pôr do sol simboliza a liderança de São José dos Campos na engenharia aeroespacial brasileira e sua conexão com projetos como Gripen F, Saab e Embraer.

Do Vale do Paraíba ao mundo: o polo aeroespacial de São José dos Campos continua no centro das decisões estratégicas da indústria global de defesa e tecnologia

Em 2 de junho de 2026, em Linköping, na Suécia, a Saab apresentou oficialmente o Gripen F, a versão biposto do caça desenvolvido em parceria com a Embraer.

Durante a coletiva de imprensa, o CEO da Saab, Micael Johansson, confirmou que estuda com o ministro da Defesa, José Mucio, a criação de um centro de pesquisa próximo ao CTA, em São José dos Campos.

A informação ainda está em fase de estudos. Mas o fato de surgir no contexto do lançamento de um dos projetos de defesa mais avançados do Brasil, diz mais sobre São José dos Campos do que qualquer ranking poderia dizer.

Quando projetos de alta complexidade precisam de endereço no Brasil, São José dos Campos aparece. Não por acidente. Por competência instalada.

O que o caso Gripen F revela sobre São José dos Campos?

O programa Gripen não é apenas um contrato de compra de caças.

É um dos mais sofisticados arranjos de transferência tecnológica da história da defesa brasileira.

Conforme apurado pelo portal NeoFeed, o acordo firmado em 2013 entre o governo brasileiro e a Saab prevê:

  • Formação de 350 engenheiros brasileiros;
  • Participação de cerca de 60 empresas nacionais na cadeia produtiva;
  • Instalação da única linha de montagem final da Saab fora da Suécia, em Gavião Peixoto, interior paulista.

Para chegar a esse patamar, foi necessário um ecossistema. E esse ecossistema tem base em São José dos Campos.

Ainda segundo o NeoFeed, empresas brasileiras participaram diretamente do desenvolvimento do Gripen F:

  • AEL Sistemas — fornece o Wide Area Display, tecnologia central do cockpit;
  • Akaer — atuou na engenharia estrutural e tornou-se fornecedora global da Saab;
  • Atech — desenvolveu os sistemas de planejamento de missão;
  • WEG e Eleb — produzem componentes elétricos e hidráulicos.

Essas empresas não surgiram do nada. Cresceram dentro de um ambiente que há décadas combina indústria aeroespacial, pesquisa de alto nível e formação técnica especializada.

O Gripen F possui alcance de até 4.000 km, capacidade de 7 toneladas de armamentos e sistemas de inteligência artificial embarcada.

Aeronaves assim não se viabilizam em qualquer cidade. Elas exigem fornecedores qualificados, capacidade de certificação, engenharia de sistemas e uma cultura industrial que entende de complexidade.

São José dos Campos tem tudo isso.

Por que São José dos Campos é protagonista na indústria aeroespacial?

A relação entre São José dos Campos e a indústria aeroespacial não começa com a Embraer. Começa antes dela.

O ITA — Instituto Tecnológico de Aeronáutica foi fundado em 1950, quase duas décadas antes da Embraer.

O DCTA — Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, que abriga o CTA, já operava como centro de pesquisa e formação técnica avançada quando a fabricante de aeronaves ainda era um projeto.

O INPE — Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais se instalou na cidade décadas atrás e hoje é referência global em sensoriamento remoto, meteorologia e ciências espaciais.

O que aconteceu ao longo do tempo foi uma acumulação estratégica:

  • Cada instituição atraiu profissionais → que atraíram empresas → que demandaram fornecedores → que criaram mercado → que viabilizaram mais pesquisa.

Esse ciclo gerou o que existe hoje: um dos ecossistemas industriais e científicos mais completos da América Latina na área aeroespacial.

A Embraer, fundada em 1969, é o ativo mais visível desse ecossistema. Com mais de 8.000 aeronaves entregues para clientes em mais de 100 países e cerca de 18 mil colaboradores, ela é referência nas frentes comercial, executiva e de defesa.

Mas reduzir São José dos Campos à Embraer é um erro analítico. A empresa é fruto do ecossistema tanto quanto o alimenta.

O Parque de Inovação Tecnológica (PIT) reforça esse ponto: mais de 330 empresas vinculadas, 11 laboratórios multiusuário e conexão direta com universidades e centros de pesquisa, uma infraestrutura de inovação que vai além de qualquer player individual.

Engenharia, talento e conhecimento técnico como vantagem competitiva

Empresas que chegam a São José dos Campos encontram mais do que profissionais disponíveis.

Encontram uma cultura de engenharia formada por décadas de interação entre indústria, pesquisa, defesa e inovação.

O ITA é uma das instituições de formação técnica mais exigentes do Brasil. Seus egressos ocupam posições de liderança na Embraer, na Boeing, em empresas de tecnologia e em centros de pesquisa no Brasil e no exterior.

O DCTA forma engenheiros e cientistas com especialização em tecnologias de uso civil e militar em áreas como:

  • Materiais avançados;
  • Propulsão;
  • Sistemas embarcados;
  • Inteligência artificial aplicada.

Esse capital humano não se forma em cinco anos.

É o resultado de uma política de Estado que apostou, desde a metade do século XX, em concentrar formação técnica de excelência em uma única cidade e deixou essa herança disponível para o setor privado e para projetos internacionais.

Quando a Saab precisou formar 350 engenheiros brasileiros no programa Gripen, a escolha de São José dos Campos não foi casual. Era a cidade com o ambiente técnico capaz de absorver e desenvolver essa capacitação.

Empresas globais escolhem ecossistemas fortes

A presença de empresas internacionais em São José dos Campos não é uma coincidência de mercado.

É uma sinalização de que a cidade oferece condições que outras localidades no Brasil não conseguem combinar.

Veja quem já escolheu SJC:

  • Boeing — instalou seu Centro de Engenharia e Tecnologia, um dos centros globais da companhia.
  • General Motors — opera complexo com produção da S10, Trailblazer, motores, transmissões e componentes essenciais.
  • Ericsson — iniciou em SJC a fabricação de estações rádio-base e celulares no Brasil.
  • Eaton — completou 68 anos de operação na cidade em 2025.
  • Panasonic, Ball Corporation, Kenvue e Bayer — mantêm presença relevante em setores distintos.

Esses nomes não compõem uma lista de homenagens.

Eles evidenciam que São José dos Campos suporta operações globais complexas em setores distintos: aeroespacial, automotivo, telecomunicações, energia, saúde e tecnologia.

Para um novo investidor, isso reduz significativamente o risco de instalação:

  • A cadeia produtiva já existe.
  • Os fornecedores já estão presentes.
  • Os profissionais qualificados já estão formados.
  • O ambiente institucional já está maduro.

Por que trazer sua empresa para São José dos Campos?

A pergunta real de quem avalia expansão no Brasil é: onde minha operação vai funcionar com eficiência, ter acesso a talento, estar próxima de fornecedores e conseguir escalar?

São José dos Campos responde com evidências concretas.

Localização estratégica:

  • 88 km de São Paulo.
  • 71 km do Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU).
  • 111 km do Porto de São Sebastião.
  • Posição central na Rodovia Presidente Dutra, entre SP e RJ.

Indicadores econômicos:

  • PIB de R$ 61,4 bilhões.
  • Exportações de US$ 4,1 bilhões para cerca de 120 países (2025).
  • 4ª posição no ranking de exportações do estado de São Paulo.
  • Pauta majoritariamente formada por produtos de alto valor agregado — tecnologia, engenharia, componentes sofisticados.

Infraestrutura de inovação:

  • Para empresas intensivas em tecnologia: acesso ao PIT, ITA, DCTA e INPE, pesquisa aplicada, laboratórios e startups.
  • Para empresas industriais: cadeia produtiva estabelecida nos setores aeroespacial, automotivo e de telecomunicações.

Saiba mais:  Cases de Sucesso

São José dos Campos e o futuro da indústria de alta complexidade no Brasil

O lançamento do Gripen F e os estudos para um centro de pesquisa próximo ao CTA são sinais de uma dinâmica mais ampla.

A demanda global por projetos de alta complexidade está crescendo e as cidades que combinam talento, infraestrutura, cadeia produtiva e ambiente institucional sólido serão as que vão capturar essa expansão.

O Brasil ampliou seus gastos em defesa em 13% em 2025, chegando a US$ 23,9 bilhões, segundo o relatório do SIPRI (Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo), publicado em abril de 2026.

Paralelamente, setores como semicondutores, mobilidade elétrica, inteligência artificial aplicada e tecnologias de uso dual ganham escala global.

São José dos Campos está posicionada para capturar investimentos em todas essas frentes.

Porque reúne, de forma rara, os ativos que operações complexas exigem: engenharia, pesquisa, indústria, logística e um histórico real de projetos que funcionaram.

O Gripen F decola de Linköping. Mas parte do que o tornou possível foi construído em São José dos Campos.

A Invest SJC atua como plataforma institucional para apoiar em todo o processo: do primeiro contato à visita técnica, do mapeamento de oportunidades setoriais à integração com o ecossistema local.

Conheça como investir em São José dos Campos e descubra como a cidade pode apoiar a expansão da sua operação no Brasil.


FAQ – Perguntas frequentes

Por que São José dos Campos é referência no setor aeroespacial?

Porque a cidade concentra, de forma integrada, empresas de tecnologia e defesa, instituições como ITA, DCTA e INPE, cadeia produtiva especializada e profissionais formados em engenharia de alta complexidade. Essa combinação não se replica facilmente em outro território.

Qual a relação entre Embraer, Saab e São José dos Campos?

A Embraer é parceira da Saab no desenvolvimento e produção do Gripen E/F, com a única linha de montagem final da Saab fora da Suécia instalada no Brasil. 

São José dos Campos é a base do ecossistema industrial e tecnológico que viabilizou essa parceria, com empresas fornecedoras, centros de pesquisa e formação técnica concentrados na cidade.

São José dos Campos tem mão de obra qualificada para operações intensivas em tecnologia?

Sim. A cidade abriga o ITA, o DCTA e o INPE, além de universidades como UNIFESP e FATEC. 

Décadas de interação entre indústria aeroespacial, pesquisa aplicada e formação técnica criaram uma base de profissionais com perfil raro no Brasil — especialmente em engenharia, sistemas embarcados, automação e tecnologias de defesa.

Por que empresas devem considerar instalar ou expandir operações em São José dos Campos?

Porque a cidade combina localização estratégica no eixo São Paulo–Rio de Janeiro, infraestrutura logística consolidada, cadeia produtiva madura em múltiplos setores, ambiente de inovação com mais de 330 empresas no Parque Tecnológico e presença de multinacionais como Boeing, GM, Ericsson e Eaton. 

Isso reduz barreiras de entrada e acelera a viabilidade operacional.

São José dos Campos depende apenas da Embraer?

Não. A Embraer é um ativo estratégico fundamental, mas o diferencial da cidade está na rede completa que se formou ao redor dela. 

Empresas de automotivo, telecomunicações, energia, saúde, tecnologia e embalagens operam em SJC com independência do setor aeroespacial, demonstrando a diversidade e a resiliência econômica da cidade.